Reflexões e descrições de algumas obras.


Título: "O encontro de São Francisco"
Autoria :Aleixa de Oliveira
Técnica: Lápis de cor e Aquarela sobre papel.
 
O Encontro de São Francisco

   Não foi ao acaso que grandes nomes da pintura como Giotto, El Greco, Caravaggio, Candido Portinari, entre outros, inspiraram-se na célebre história de São Francisco de Assis, um ícone mundial da fraternidade, ao pintarem uma obra de Arte. A pintura intitulada - O encontro de São Francisco, tem como principal elemento compositivo, um homem a caminho de sua própria santidade, ao transcender o humano pela sua forma de amar incondicional e altruísta, livre de qualquer impedimento – um homem que não permitiu que alterassem o seu ímpeto de praticar a caridade ao necessitado e ao oprimido, nada o transpunha, não lhe havia detrimento algum que o impedisse a tal feito, não temia nem sequer a morte... Neste sentido, que compõe e retrata este perfil que o elevou à santidade, entre tantos dos seus gestos que a história retrata, agrada-me destacar um momento notório – O encontro com o leproso, que é tratado como a primeira leitura visual desta pintura. A princípio, meu desejo é o de guiar o olhar do espectador, mesmo que rapidamente, à fragilidade humana, em estado socialmente considerado infecto, representado pelo isolamento do leproso. E tão logo a óptica do ir em direção ao acolhimento de extrema caridade e compaixão envolvido pelo olhar franciscano, drapejados do castanho e modesto manto que simboliza a simplicidade, onde se funde com a esperança nascida do farrapo tecido esverdeado que zela o corpo adoecido. Na representação artística, tal encontro não é tão somente com o enfermo envolto em seus braços, vai além deste encontro, este se dá concomitantemente ao encontro do humano com a sua própria santidade pela essência do ato que o transcende. Diríamos, quanto à descrição da obra, que tal encontro retratado, eleva-se em direção aos céus e reflete-se em forma luz e na imagem de Cristo que toma o lugar e a condição do enfermo. Naquele instante Francisco é abençoado e santificado. Sua benevolência para com o enfermo é refletida na imagem de Jesus – o Cristo Redentor, que, a propósito, transmite uma atmosfera da devoção brasileira, na concepção de homenagem e referência a minha nacionalidade, em meio aos raios da luz divina que representa o Ser Maior - DEUS.
   Francisco foi um vitorioso em seu nobre e divino ideal, na sua luta terrena entre tantos prazeres humanos. Jesus Cristo foi seu venerável exemplo e intensa inspiração. São Francisco é considerado, por muitos, a maior figura do Cristianismo desde Jesus, até mesmo o grande poeta Dante Alighieri, não hesitou em enobrecê-lo ao dizer: “Ele foi uma luz que brilhou sobre o mundo”, portanto, após a elaboração desta especial pintura, eu não poderia deixar de declarar algo também muito especial: Feliz e abençoado o menino que ao nascer recebe o nome – Francisco.
Aleixa de Oliveira

 

CICLO AMEAÇADO
(esta obra participou da exposição “ Desenhando o Planeta” , que ocorreu no Palácio Nove de Julho em São Paulo-SP no Espaço Cultural Candido Portinari .)

Descrição da obra:"A terra sangra verde, refiro-me ao ciclo natural da mata vegetação que está sendo destruída pelo homem por meio de desmatamentos, queimadas, poluentes industriais e tantos outros."

Reflexão: “ A Natureza está em crise – O Planeta Terra que é a nossa única moradia, os elementos fundamentais de que somos totalmente dependentes para sobreviver, como o ar, a água e o solo, estão cada vez mais pútridos e escassos. A causa disto é a má ou não preservação do ecossistema e suas biodiversidades; os maus costumes de um povo capitalista e consumista; a problemática sócio cultural e governamental; e o descaso das autoridades, das empresas e grande parte da sociedade que ignora esta desfiguração planetária”.

Aleixa de Oliveira

 
ANOMALIA NO ECOSSISTEMA
(esta obra participou da exposição “ Desenhando o Planeta” , que ocorreu no Palácio Nove de Julho em São Paulo-SP no Espaço Cultural Candido Portinari .)


Motivação: A imagem de uma tartaruga marinha, que teve graves seqüelas físicas ( devido uma argola de plástico lançada pelo homem no mar), se transformando assim numa anomalia, motivou e inspirou a artista plástica Aleixa de Oliveira a elaborar a pintura “Anomalia no Ecossistema“, pois,  retrata este descaso com a natureza, a obra traz como destaque algo que, a princípio, para o observador, pode  parecer   surreal, mas se refletirmos calmamente, veremos que não é  alucinação, é real e atual, é o que vivemos hoje, não se trata do futuro, é o agora. 

Reflexão: “Desejo que esta pintura fique apenas no papel  e que sirva como reflexão,  pois a imagem é inusitada e nada feliz  – uma  formiga, que por razões de desequilíbrio na cadeia alimentar ou por alguma anomalia em seus sentidos neurotransmissores, táteis ou gustativos (causadas, de maneira  cruel, ainda que  indireta, pelo homem),  se apropriou de uma  esverdeada embalagem de guloseima, crente em que esta fosse a sua alimentação  natural... Talvez uma folha verde?”

Aleixa de Oliveira


Qual a sua contribuição no mundo da inovação técnica e conceitual dentro das artes plásticas?
R: Profissionalmente, desde os meus 15 anos, passei a apresentar e desenvolver uma inovadora forma de pintar com o lápis de cor. Sua finalidade sempre foi e será transmitir o amadurecimento deste material, ou seja, além de uma diferenciada forma de aplicação ela é tecnicamente mais precisa, detalhada, demonstrando, assim, um esmero resultado de seu real valor. Há uma linha de pensamento que costumo seguir: “Ser suscetível a renovações, tendências, novos códigos... Um processo desafiante que possibilita o constante aperfeiçoamento e, evidentemente, procuro estabelecer um limite para que possa manter a peculiaridade de minhas obras.”

Aleixa, fale um pouco sobre a técnica aquarela que tem aplicado em algumas de suas obras.
R: Paralelamente, desde 1999, comecei a aplicar a técnica aquarela em alguns de meus trabalhos, em 2004, aproximadamente, houve definitivamente uma união desta técnica ao lápis de cor, ou seja, o público já tem visto com frequência meus trabalhos com estas duas técnicas numa única obra. Isto significa que além de dedicar-me às pinturas 100% elaboradas com lápis de cor, há também esta opção e que, felizmente, teve uma ótima aceitação. 
 

Como descobriu o interesse pela pintura?
R: Tinha por volta dos meus 7 anos de idade, eu e um coleguinha sentávamos no fundo da sala, quase que juntos terminávamos a lição, rapidamente, para dar início aos nossos desenhos e pinturas. Foi realmente a época que descobri o meu talento, pegávamos gibis de super – heróis (Capitão-América, Super-Homem, Batmam) e, enfim, assim fazíamos a nossa própria releitura.

Porque o escolha pelo material Lápis de Cor?
R: Acredito que seu aspecto visual é e sempre será bastante atrativo, é algo prático, compacto, encantou-me quando criança e assim continua. Outro motivo importante, foi devido, na ocasião, ter carência por outros materiais de pintura. Sendo assim, aos poucos fui aplicando este único material sobre o papel, estudando-o e descobrindo o seu grande potencial artístico.

Recebia apoio de seus pais?

R: Sim, foi fundamental.

Qual é a importância da arte para uma criança?

R: Através da arte, ela entende o porque da existência de seus antepassados junto a sua história, questões sociais, psíquicas e políticas. É como escreveu Heinrich Wolfflin em seu livro - Conceitos fundamentais da história da arte. “A arte tem o seu aspecto espiritual, ela determina a fisionomia geral de uma época. O artista sempre foi regido pelas exigências de um tempo e seu povo”. Eis então, o porquê em decifrarmos a nossa história também por meio destes registros artísticos. E além disto tudo, a criança quando está aprendendo uma técnica de uma determinada arte ela exercita o observar, o discriminar, o analisar, o organizar, o criticar, enfim, aspectos de grande importância para o seu desenvolvimento.

Sua escola base foi o neoclassicismo, porque algumas de suas composições pictóricas apresentam o Hiper-realismo? 
R: Acho que é importante ser contemporâneo, além do Hiper-realismo procuro absorver características necessárias do Surrealismo, com um tom renascentista para montar uma linguagem própria do meu trabalho. O ensino básico é extremamente importante, não foi e nem será esquecido, inclusive sempre me inspiraram para realização de minhas pinturas. Tintoretto, um importante pintor do século XVII, dizia algo que não só concordo, como procuro aplicar em minhas pinturas: “Um quadro deve ser visto inicialmente como um grande conjunto e só depois percebido em detalhes.”

Falando em inspiração, além dos grandes gênios da pintura, quais outros motivos que lhe inspiram durante as realizações de suas obras?
R: O amor, a paixão, o Divino sem Ele nada faço. Além do emocional e espiritual, é evidente que existe um estudo preliminar de cada trabalho: esboços, croquis, pesquisas baseadas em livros, viagens e fotos/meu próprio banco de imagens e muita observação. Enfim, são informações diversas que procuro adquirir sobre cada tema escolhido, além da criatividade.

Existe uma temática em preferencial?
R: Sim, gosto de figura – anatomia humana, embora trabalhe com diversos temas.

Houve duas somas importantes no trabalho da artista plástica Aleixa de Oliveira, nos aspectos: a arte  Figurativa e uma sofisticada técnica de reprodução chamada Giclée.

ALEIXA : O Hiper-realismo aliada ao Surrealismo e a arte Acadêmica, ambas influenciam o estilo de minhas pinturas. O Figurativo é uma soma com consideráveis distinções e de forma independente, embora já tenha tido participação discreta em algumas pinturas, como exemplo: O nu feminino com máscara-azul (verificar link galeria), onde em sua composição especificamente a emolduração em cor alaranjado do espelho, nada mais é do que a simplificação pictórica e linear do objeto, ou seja, um detalhe com características figurativas. Vale lembrar que traços de clareza e simplicidade também é uma notável arte, diante à fidelidade por complexas fusões de cores e formas, como a anatomia humana que faz parte do mesmo trabalho. Embora influenciada por estas escolas, criteriosamente mantenho harmonia em minhas composições para que não haja desentendimentos com a linguagem visual. Pinturas como: Peixe-imperador, Máscara de Mergulho e Hêlicônia-Rostrata, pertencentes a uma característica figurativa estilizada, vieram para adicionar-se à todo um trabalho que desenvolvo há muitos anos.”

Falando agora um pouco  sobre Giclée

ALEIXA : “Brevemente em poucos instantes gostaria de lembrar apenas sobre um determinado fato vinculado a uma grande obra prima, entre outros ocorrido há séculos, envolvendo reproduções de artes: No período Helenístico (arte grega), a importante e belíssima escultura “Laocoonte e seus filhos” foi criada e depois descoberta em 1506, pertencente a uma expressão corporal dramática e anatomicamente magnífica, nesta época, surgiram importantes colecionadores de famosas obras de arte de valores elevados, e quando impossibilitados em obter as originais, já se valiam  das reproduções, ou seja, uma opção solicitada na época. Atualmente com os recursos  tecnológicos,  podemos obter  com maior precisão  reproduções de valiosas obras de arte tanto em papel com  em  tela e de diversos tamanhos – com qualidade,  sem desprestigiar o trabalho original,  isto graças as nossas conquistas tecnológicas no âmbito cultural e artístico e a nova visão quanto ao trabalho de reprodução digital . Esta maneira agradável de obter  uma obra por meio da reprodução favorece o acesso à arte. E assim em tempo moderno e contemporâneo vem se repetindo esta mesma necessidade e dando oportunidade tanto ao artista em difundir e comercializar mais a sua obra, como também ao público em poder adquiri-la, portanto, GICLÉE é uma sofisticada técnica de reprodução que aderi junto ao meu trabalho, permitindo reproduções de diversos tamanhos, sejam em telas ou papéis, ambas de altíssima qualidade e durabilidade, com matérias primas da marca alemã Hahnemühle, ou seja, opções importantes, seguras e acessíveis para aquisição de minha arte.”

 O que é Giclée ?
É uma palavra de origem francesa, que significa pulverizado, jateado.
Inicialmente foi adotado no meio artístico internacional, como nome para uma nova técnica de reprodução, tanto em tela (giclée em canvas), como em papel (giclée em paper), no Brasil alguns também a conhecem como Reprodução Digital, observando, que, tanto o papel, como a tela são materiais importados e preparados para receber tintas de alta duração.
Esta forma de reprodução é acompanhada de uma tecnologia considerada, o que há de mais sofisticado em termos de impressão: jateia cerca de 4 milhões de gotículas de tinta por segundo e proporciona uma gama de 16 milhões de cores em um trabalho, fornecendo assim maior fidelidade ao original.
Toda giclée reproduzida é autorizada pelo artista, que controla todo processo de aprovação da arte final desde a curadoria, formatos, escalas, texturas de tela e papel, fidelidade de cores e traços, até se alcançar a satisfação do artista, que assina e numera de próprio punho uma a uma das giclées.
Nomes de profissionais conceituados como: Paulo Caruzo, Elifas Andreato, Menna Barreto, obras de Aldemir Martins, Burle Marx, entre outros aderiram também esta forma de reprodução.

Saiba mais sobre Giclée e sua origem, através do MOVIMENTO GICLÉE BRASIL fundado pelo artista plástico Régis Oliva, Pós Graduado em artes plásticas.